Fim da supremacia? Toyota Corolla tem pior resultado em 18 anos

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O mercado automotivo brasileiro vive uma transformação clara — e os números de 2025 confirmam isso. Os sedãs seguem perdendo espaço, tanto entre os modelos compactos quanto nos médios, grandes e premium. Nem mesmo o Toyota Corolla, sinônimo de liderança e estabilidade há mais de uma década, escapou da retração e registrou seu pior desempenho anual desde 2007.

Toyota Corolla
Toyota Corolla

Dados oficiais da Fenabrave mostram que o segmento de sedãs fechou 2025 com 251.510 unidades emplacadas, queda de quase 15% em relação a 2024. A participação no mercado total também encolheu: de 12% para apenas 9,9%, bem distante dos 15,7% registrados em 2022.

Sedãs compactos: Onix Plus resiste, Virtus cresce e Cronos despenca

Mesmo em um cenário adverso, o Chevrolet Onix Plus manteve sua hegemonia entre os sedãs compactos. Foram 52.951 unidades vendidas, garantindo o sexto ano consecutivo na liderança, apesar de uma retração de 11,6%.

O grande destaque positivo foi o VW Virtus, que cresceu 14,2%, saltou da 4ª para a 2ª posição e superou o Hyundai HB20S por apenas 23 unidades, em uma das disputas mais apertadas do ano.

Já o Fiat Cronos, que foi vice-líder em 2024, sofreu um tombo expressivo de mais de 40%, caindo para a 4ª colocação. O Honda City cresceu quase 9% e entrou no top 5, enquanto o Nissan Versa perdeu cerca de 20% dos compradores.

O Toyota Yaris Sedan, em seu último ano no mercado, praticamente desapareceu, com queda superior a 80%.

Sedãs médios: Corolla lidera, mas vive seu pior momento em quase duas décadas

Entre os médios, o domínio do Toyota Corolla continua — mas com sinais claros de desgaste. Em 2025, o modelo emplacou 33.153 unidades, queda de quase 12%, alcançando seu pior resultado anual desde 2007. Ainda assim, o Corolla conquistou sua 12ª liderança consecutiva, com impressionantes 61% de participação no segmento.

A grande novidade foi o BYD King, que em seu primeiro ano cheio de vendas garantiu a segunda colocação, com 12.396 unidades, crescimento de mais de 150% em relação a 2024.

O Nissan Sentra perdeu fôlego e caiu para a terceira posição. Do quarto lugar em diante, os números mostram um segmento praticamente residual, com modelos abaixo de 1.500 unidades no ano.

Sedãs grandes: mercado quase simbólico

O segmento de sedãs grandes praticamente desapareceu do radar. Em 2025, foram apenas 219 unidades vendidas em todo o Brasil. O Honda Accord respondeu sozinho por quase 98% desse total, enquanto Camry e Passat tiveram números quase irrelevantes.

Sedãs médios premium: estabilidade com leves mudanças

Nos médios premium, o BMW Série 3 manteve sua liderança pelo sétimo ano consecutivo, mesmo com leve queda. O pódio se repetiu em relação a 2024, com BYD Seal em segundo e Mercedes-Benz Classe C em terceiro — este último, inclusive, foi o único a crescer no trio principal.

O destaque ficou para o Audi A5, que cresceu mais de 160% e subiu posições graças à chegada da nova geração.

Sedãs grandes premium: Panamera reina, Taycan despenca

Entre os modelos mais sofisticados, o Porsche Panamera confirmou a liderança pelo segundo ano seguido, concentrando mais de um terço das vendas da categoria. O BMW Série 5 subiu para a vice-liderança, enquanto o Zeekr 001 surpreendeu em seu primeiro ano completo no país.

O grande tombo foi do Porsche Taycan, que perdeu mais de 80% das vendas e despencou no ranking. Mesmo com crescimento pontual de alguns elétricos, o segmento segue extremamente restrito.

Dezembro confirma a tendência de queda

O último mês de 2025 reforçou o cenário negativo. Os sedãs representaram apenas 8,4% das vendas totais, com queda de mais de 19% frente a dezembro de 2024.

O Onix Plus foi o único compacto a crescer no comparativo anual. Entre os médios, o Corolla reagiu em relação a novembro, mas ainda assim ficou 36% abaixo do desempenho de um ano antes. No premium, o BMW Série 3 manteve a liderança mensal, enquanto o Porsche Panamera fechou o ano como o preferido entre os sedãs de luxo.

Conclusão: o sedã perdeu o protagonismo, mas ainda não morreu

Os números de 2025 deixam claro que o sedã deixou de ser prioridade para o consumidor brasileiro, pressionado pelo avanço dos SUVs, crossovers e até dos elétricos. Mesmo ícones como o Toyota Corolla já sentem os efeitos dessa mudança de comportamento.

Ainda assim, o segmento resiste, sustentado por clientes mais conservadores, frotistas e consumidores que valorizam conforto, dirigibilidade e eficiência. A liderança permanece concentrada em poucos modelos, enquanto o restante do mercado se fragmenta ou simplesmente desaparece.

O recado é claro: a supremacia acabou, mas a extinção ainda não chegou. O futuro dos sedãs no Brasil dependerá de inovação, eletrificação e, principalmente, de reposicionamento frente a um público cada vez mais inclinado aos SUVs.

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