Substituído pelo City, Honda Fit ganha versão diferente

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Fabricado e vendido no Brasil por três gerações, o Honda Fit marcou época ao colocar a marca japonesa em um segmento até então pouco explorado por ela: o de compactos urbanos. Com um visual que sempre misturou hatch com minivan, o modelo encontrou seu público rapidamente e construiu uma base fiel de consumidores.

O problema veio em 2021, quando a Honda encerrou sua produção no país. Desde então, muitos clientes ficaram órfãos dentro da gama da marca, sem um substituto direto com a mesma proposta de espaço e versatilidade.

Foto de: autohome.com.cn
Foto de: autohome.com.cn

Naquele momento, a estratégia da Honda foi clara: concentrar esforços no City Hatchback, de linhas mais tradicionais, e abandonar mercados onde o segmento de compactos perdeu força frente aos SUVs — como aconteceu nos Estados Unidos.

Mas engana-se quem pensa que o Fit morreu.

Fit continua vivo — agora como Jazz e com foco na Ásia

Fora do Brasil, o Honda Fit segue firme, especialmente na Europa (onde é chamado de Jazz) e na Ásia, com destaque para Japão e China. Nesses mercados, o modelo já está em sua quarta geração, que dobrou a aposta no visual mais alto e urbano.

Para a linha 2026, a joint-venture GAC Honda, responsável pelo modelo na China, apresentou uma reestilização profunda — e bastante polêmica.

Visual renovado: tudo novo, menos a identidade Honda

A principal mudança está na dianteira. O Fit reestilizado abandonou os faróis grandes e arredondados e adotou um conjunto dividido, com:

  • DRL na parte superior

  • Faróis principais no bloco inferior

  • Para-choque mais fechado, com entrada de ar apenas na parte inferior

O resultado? Um carro que, visualmente, parece tudo, menos um Honda.

Na lateral, o modelo mantém o tradicional vidro após a porta dianteira, marca registrada do Fit. Já na traseira, uma faixa preta na coluna C conecta visualmente as lanternas. Dependendo da versão, há teto bíton, reforçando o apelo jovem.

Cores disponíveis

  • Amarelo Fogo

  • Azul Dinâmico

  • Branco Noite Estrelada

Motor conhecido e dimensões maiores

Sob o capô, nada de surpresas. O Fit chinês usa o já conhecido 1.5 aspirado i-VTEC, que entrega:

  • 122 cv de potência

  • 14,8 kgfm de torque

  • Câmbio CVT

Nas medidas, o modelo cresceu levemente em relação ao Fit vendido no Brasil:

MedidasFit MK4 (China)Fit MK3 (Brasil)
Comprimento4,17 m4,09 m
Largura1,69 m1,69 m
Altura1,54 m1,53 m
Entre-eixos2,53 m2,53 m

Apesar das boas dimensões, ainda não há confirmação se o modelo mantém o famoso Magic Seat, sistema de bancos que sempre foi um dos maiores diferenciais do Fit. Caso ele não esteja presente, o modelo pode perder parte importante da sua versatilidade interna.

Preço chama atenção (e muita)

Mesmo com o visual controverso, o Fit reestilizado surpreende pelo preço. A GAC Honda vai oferecer o modelo como uma série especial limitada a 3.000 unidades, com valor inicial de:

  • 66.800 yuans

  • Cerca de R$ 51.436 em conversão direta

Um preço extremamente competitivo para os padrões atuais.

E no Brasil? Honda aposta no WR-V

Por aqui, o retorno do Fit é muito improvável. A Honda deixou claro que sua estratégia nacional passa por outros caminhos.

Hoje, quem quer um hatch compacto da marca precisa olhar para o City Hatchback. Já quem busca um carro mais alto e espaçoso encontra no novo WR-V, lançado no fim de 2025, a principal aposta da marca.

Agora totalmente novo — e não mais um Fit “aventureiro” —, o WR-V se posiciona entre o City e o HR-V, sendo vendido em duas versões:

  • EX – R$ 147.100

  • EXL – R$ 152.100

O Honda Fit deixou saudade no Brasil, principalmente pela combinação rara de tamanho compacto, espaço interno e versatilidade. Lá fora, ele segue vivo, moderno e até acessível, mas com um visual que divide opiniões e se afasta bastante da identidade tradicional da marca.

Enquanto isso, no mercado brasileiro, a Honda optou por seguir a tendência dos SUVs, deixando o Fit como uma lembrança de uma época em que compactos inteligentes ainda tinham espaço nas vitrines. Para quem foi dono, resta a nostalgia. Para quem olha de fora, fica a curiosidade: será que um dia esse tipo de carro volta a ter vez por aqui?

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